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Prontuário das Instalações Elétricas: o documento que a NR-10 cobra
Elétrica
12 de agosto de 2026

Prontuário das Instalações Elétricas: o documento que a NR-10 cobra

De todas as exigências da NR-10, o Prontuário das Instalações Elétricas é a que mais gera não conformidade, e quase nunca por falha técnica. A instalação costuma estar boa. O que falta é o conjunto documental que prova isso, organizado, atualizado e assinado por quem tem competência para assinar.

O que o prontuário precisa reunir

  • Esquemas unifilares atualizados das instalações, com as especificações do sistema de aterramento e demais equipamentos e dispositivos de proteção
  • Documentação das inspeções e medições do sistema de proteção contra descargas atmosféricas e aterramentos
  • Especificação dos equipamentos de proteção coletiva e individual e do ferramental aplicáveis
  • Documentação comprobatória da qualificação, habilitação, capacitação, autorização e treinamento dos trabalhadores
  • Resultados dos testes de isolação elétrica em equipamentos de proteção individual e coletiva
  • Certificações dos equipamentos e materiais elétricos em áreas classificadas, quando houver
  • Relatório técnico das inspeções com recomendações, cronogramas de adequação e o registro do que já foi feito
  • Descrição dos procedimentos para emergências e os relatórios de auditorias

Quem assina

O prontuário e os procedimentos que o compõem precisam de responsabilidade técnica de profissional legalmente habilitado, com a anotação correspondente. Isso significa engenheiro eletricista ou profissional com atribuição compatível, registrado no conselho e com ART emitida. Técnico de segurança do trabalho contribui, mas não substitui essa assinatura.

Vale um alerta prático: prontuário comprado como modelo pronto, preenchido genericamente, não atende. O documento é da instalação, não do setor.

O unifilar é o calcanhar de aquiles

Toda planta viva muda. Entra uma máquina, sai outra, um circuito é ampliado, um quadro é remanejado. O desenho, na maioria das vezes, fica parado no dia da inauguração. Quando o auditor compara o unifilar com o que existe no painel e encontra divergência, a conclusão dele não é "o desenho está velho". É "a documentação não representa a instalação", e isso contamina a confiança em todo o resto do prontuário.

A correção não é fazer um levantamento heroico a cada dois anos. É criar a regra de que nenhuma alteração elétrica é encerrada sem a atualização do desenho, com a revisão registrada. Serviço só é considerado concluído quando o as built entra.

Instalações que exigem mais

Em instalações a partir de determinada potência, além dos itens acima, o prontuário precisa incluir a descrição dos procedimentos para emergências e a documentação das certificações em áreas classificadas quando aplicável. Plantas com subestação própria e com atmosferas explosivas costumam ser as que mais deixam lacunas aqui.

Manter é mais barato que refazer

Um prontuário completo pode levar meses para ser montado do zero, porque envolve levantamento de campo, medições, ensaios de EPI, resgate de certificados de treinamento e desenho. Mantê-lo exige apenas disciplina de rotina. Plantas que tratam o documento como vivo gastam uma fração do que gastam as que redescobrem o assunto na véspera da fiscalização.

Um roteiro para os próximos noventa dias

Comece pelo inventário do que já existe, separando o que está válido, o que está vencido e o que nunca foi feito. Priorize as medições com prazo, como aterramento e ensaio de isolação de EPI, porque são as que mais frequentemente estão vencidas. Em paralelo, coloque o levantamento do unifilar em andamento, que é o item mais demorado. Por último, organize a parte de treinamento, que costuma existir mas estar espalhada entre RH, segurança e manutenção.

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